11/05/16

Peregrinar

Dizem as notícias que mais de 500 mil pessoas deverão fazer, nestes dias próximos do 13 de Maio, a peregrinação a Fátima.
Que fenómeno extraordinário é este que leva estas pessoas, com fé e sem fé, que acreditam ou não acreditam em Fátima, a quererem fazer esta experiência? 
Cada pessoa terá os seus motivos. Em todo caso, a pessoa que faz uma peregrinação a pé tem um princípio e um fim, um destino, uma meta. Peregrinar é, certamente, a expressão de uma intenção, de um propósito, pensado, desejado e amado, que a leva a tomar esta decisão.
Peregrinar é também o caminho para la chegar, e o tempo para fazer a caminhada que aumenta ou diminui o esforço de acordo com a distância a percorrer. 
Também é diferente se neste tempo da caminhada ela é feita em grupo que dá apoio e interajuda, ou de forma individual.
Peregrinar é um tempo de reflexão, de introspecção ou seja de peregrinação interior, e de contacto com o exterior, com a natureza e com a realidade do caminho…
Mas voltemos ao princípio: o que leva uma pessoa a tomar a decisão de peregrinar a pé? O que faz com que pessoas mesmo com problemas de saúde arrisquem fazer o grande esforço da peregrinação?
Se há pessoas que o fazem por motivos religiosos, como o pagamento de uma promessa, há outras para quem o objectivo é diferente, provavelmente também espiritual, mas mais para testarem as suas capacidades físicas e mentais, e de viverem uma experiência diferente.
Pode haver peregrinação sem caminhar, que será viajar, e caminhar sem peregrinar, que será mero exercício físico, ou as duas em simultâneo.
No entanto, nesta experiência, caminhar é fundamental. Como refere Gonçalo Cadilhe no livro “A lua pode esperar”: "Preparo-me para repetir uma das actividades mais intensas e emocionantes que conheço: caminhar.
Quem dera não viajar de nenhuma outra maneira. Quem dera não ter que desperdiçar horas preciosas, desta breve coisa que é a vida, a ser transportado por comboios, autocarros e aviões, ou encolhido o automóvel - o símbolo do movimento, mas que afinal, nos conduz à mais ridícula forma de imobilidade: a posição sentada.
A melhor percepção do mundo é-nos dada pelo ritmo dos nossos passos. Só que o mundo é demasiado grande, e tentar percorrê-lo a pé não passa de pura utopia. Guardo as pernas para uma selecção pessoal do melhor do mundo" (pag. 38)
Para peregrinar é então fundamental o caminho. Embora seja importante a chegada como sucesso de uma experiência conseguida, o mais importante não é a chegada mas viver o caminho.
O caminho da peregrinação é, só por si, um universo com facetas espirituais, humanas, relacionais e físicas, que cada um vive de acordo com a sua personalidade, as suas circunstâncias e a capacidade para se superar.
É uma experiência inesquecível e é, certamente, por isso, que tantos a repetem e guardam recordações vívidas do sofrimento e da alegria que sentiram.

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